Sábado, 30 de Dezembro de 2006
(Outros)Balanços e figuras de 2006
No final de cada ano é assim. Fazem-se balanços, escolhem-se acontecimentos e personalidades que marcaram a agenda. Os critérios são muito discutíveis, o que é normal. Decidi, também, fazer as minhas escolhas, tentando ir um pouco mais além daquilo que é óbvio. São escolhas pessoais, discutíveis, mas são minhas.

Figura internacional do Ano(ex aequo):

Muhammad Yunus - O vencedor do Prémio Nobel da Paz deste ano tem desenvolvido um trabalho notável no que toca à erradicação da pobreza. A concessão de crédito às pessoas mais desfavorecidas, tendo como base uma relação de confiança, permitiu a muita gente sair de uma situação de extrema dificuldade. Refira-se que 97% dos clientes do banco fundado por Yunus (Banco Grameen) são mulheres.

Borat - Esta personagem criada pelo genial Sacha Baron Cohen causou muita polémica ao longo do ano que passou. É verdade que o seu filme tem cenas chocantes (digo isto para ser simpático) e que algumas chegam a roçar o incrível. Mas o seu trabalho em Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão coloca-o ao lado de grandes vultos da comédia, apesar das reticências da crítica portuguesa que resolveu destoar da generalizada aclamação internacional. Não tenho a mínima dúvida de que este filme será um clássico a muito curto prazo. Polémicas? Lembram-se da Vida de Brian, dos Monty Python? Na altura foi um escândalo, hoje é intocável. Estou farto deste tempo de falsos consensos, em que nada se pode discutir, acabando por viver numa censura dissimulada. É preciso alguém para partir a loiça! E esse é o grande mérito da personagem de Cohen.

Figura Nacional do Ano:

Fernando Pinto Monteiro - Perante o actual estado da justiça portuguesa, a nomeação do novo procurador revestia-se de especial importância. Apesar do Pacto para a Justiça, assinado pelo PS e PSD, a acção do novo Procurador poderá ser decisiva para o restablecimento da credibilidade na justiça. Mais do que ser considerada a figura do ano, é aquela em que recaem as maiores expectativas. Oxalá que as cumpra e as ultrapasse. Para o bem de todos.

Facto Internacional do Ano:

A situação na América Latina - Vamos por partes: a doença de Fidel Castro; a reeleição de Lula e Chávez; a instabilidade no México e no Brasil; a morte de Pinochet; etc... Resumindo: estamos perante um barril de pólvora, pronto a rebentar a qualquer momento. E a Europa, mais uma vez, continua a assobiar para o lado como se nada disto fosse importante.

Facto Nacional do Ano:

A Crise - Ninguém sabe muito bem como é que ela é, nem como é que veio e, mais importante ainda, como é que ela se vai embora. O que é certo é que ainda vivemos num clima de descrença e incerteza. Uns preferem não lhe ligar muito, continuando a viver "à grande"; outros vivem num medo que, facilmente, leva ao imobilismo. O que é certo é falta ao país um projecto comum a todos os portugueses, algo que promova a união e o desenvolvimento do país. Essa é, na minha opinião, uma das chaves para combater as dificuldades que nos esperam. Não podemos ignorar Portugal.

Facto Regional do Ano(ex aequo):

- O nível da blogosfera - Cada vez melhor, cada vez mais completo e interessante. É verdade que ainda há muito por fazer e que ainda anda por aí muito lixo, mas atrevo-me a dizer que a blogosfera tem feito por levantar algumas questões importantes e, mais importante, tem feito por discutir essas questões. Apesar de estar na moda falar mal da blogosfera (reafirmo que há muito lixo e muito por fazer), a blogosfera regional recomenda-se.

- Correio Alentejo - O aparecimento de um novo jornal na cidade é muito importante. Para agitar as águas, para oferecer algo que seja mais distante das querelas polítio-partidárias da região. Ainda está no primeiro ano, terá algumas arestas a limar, mas o nível demonstrado até então permite augurar um futuro risonho.

Figura Regional do Ano:

Carlos Figueiredo - O vereador socialista autarquia bejense tem pautado a sua actuação, na minha opinião, por alguma falta de firmeza e dinâmica, revelando alguns posicionamentos algo ambíguos. Não sou socialista mas sou um democrata - Beja precisa de uma oposição forte. Só me apetece pegar nas palavras de Mário Soares e fazer uma ligeira inflexão: "Ó senhor Figueiredo, apareça!!".

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publicado por Ricardo Cataluna às 16:11
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3 comentários:
De RCataluna a 3 de Janeiro de 2007 às 00:04
Zig:

Muito obrigado!

Confesso que a escolha mais difícil foi a última. Os motivos são para discutir numa altura mais oportuna...

Não penses que também estive muito atento;)

Abraço e bom ano!

Restaurador:

Muito obrigado!

Um bom ano para ti também!


De O Restaurador a 31 de Dezembro de 2006 às 19:35
O Borat ser o maior cavalo da Cazaquistão, Borat ser grande!...

Boas escolhas pá!

Que tenhas um excelente 2007 com tudo o que mereces pá!

Abraço!


De Zig a 30 de Dezembro de 2006 às 21:19
Bom trabalho e boas escolhas, tirando a última! Mas é como dizes, são as tuas escolhas.

Confesso, este ano andei um pouco à toa com essas coisas. É a crise....


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