Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Tradições - A Praxe

Foto retirada daqui.

Todos os anos, por esta altura, o cenário repete-se: jovens alunos são levados pela cidade num (suposto) ritual iniciático, numa (suposta) marcha pela sua integração no meio académico, numa (suposta) tradição que os seus promotores reputam de fundamental. Creio que, no ano passado, tentaram fazer algo diferente, apostando na limpeza das matas. De louvar.

Contudo, parece que este ano voltou-se atrás.É fundamental humilhar jovens adultos? É fundamental forçá-los a fazer flexões enquanto lhes chamam filhos da puta?

Como diz o Miguel Esteves Cardoso, o português, assim que se apanha com um bocadinho de poder, torna-se num tiranete da pior espécie. Mesmo que esse poder advenha de um traje que acaba por ser achincalhado perante as idiotices que são cometidas.


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publicado por Ricardo Cataluna às 19:50
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24 comentários:
De Jo a 30 de Setembro de 2008 às 11:59
Gostei do teu post... tb eu estudei em Portugal, tb eu fui praxada... e no inicio, ate tremia qd via alguém de preto so de pensar que ja ia ser praxada... depois esse medo passou... nunca me tornei anti-praxe, porque senao nao poderia vestir o traje... mas quando chegou a minha vez de praxar... nao o fiz... Nunca praxei... e nao me arrependo..



De Ricardo Cataluna a 1 de Outubro de 2008 às 00:54
@jo:

Antes de mais, muito obrigado pela visita!

Devo dizer que nunca fui praxado, pelo menos na Universidade. Mas compreendo o seu medo, pelo menos na fase inicial. É pena que nem toda a gente saiba honrar o traje que enverga, e que não consiga respeitar, salvo raras excepções, as opções de caloiros e de alguns veteranos.

Cpmtos.


De Shell Santos a 12 de Setembro de 2010 às 16:31
É engraçado dizerem 'nunca me tornei anti-praxe, porque senao nao poderia vestir o traje...' porque é mentira, ninguém é obrigado a praxar ou a participar na praxe para trajar, agora dizerem que têm de trajar para praxar sim!!!


De Jo a 13 de Setembro de 2010 às 10:40
Se é mentira, não sou eu quem mente. Na minha faculdade não podia trajar se não fosse praxada. Ponto final. Como é noutros sitios nao sei. Sei apenas que amigas minhas foram praxadas ja no segundo ano!!!! para poderem trajar.


De Artemisa a 30 de Setembro de 2008 às 14:50
Sou aluna do 3º ano de uma Escola Superior do Porto. Fui praxada, praxei e continuo a praxar. Custa-me ver que as ideias sobre praxe que se mandam cá para fora vêm essencialmente de pessoas que nunca passaram pelo mesmo. E, ao contrário do que se pensa, praxe não é, obrigatoriamente, humilhação e sacríficio físico. Eu nunca humilhei um Caloiro, nunca chamei filho da puta a nenhum, ponho-os a 'encher', sim, apenas quando acho necessário, apenas quando eles passam os limites mínimos do respeito pelas pessoas que têm à sua frente e que se propuseram respeitar quando, voluntariamente, se inscreveram na praxe. Eu não sou um caso isolado, há mais gente a proceder como eu. Infelizmente, só os maus exemplos se divulgam.
Nas minhas praxes procuro essencialmente que nos divertamos todos, Caloiros e Doutores. Se tal não for possível, paciência, eles sabiam o que isto era quando cá entraram. Para mim o essencial da praxe (e por isso praxo), é que os Caloiros se integrem, conheçam outras pessoas que estão a passar os mesmos problemas e dificuldades que eles e vejam nos Doutores pessoas que já passaram pelo mesmo e acabaram por se dar bem. Para mim é essencial que a praxe transmita aos Caloiros o orgulho que devem ter na sua faculdade e neles próprios, por terem conseguido um lugar que muitos queriam ter. Isto, a meu ver, não é humilhação. É ajuda.
Andar com orelhas de burro, gritar umas canções com uns palavrões, passar umas horas e olhos postos no chão, andar pela cidade com a cara cheia de farinha, isso mata alguém? Não. Das duas, uma, ou nos é indiferente, ou nos fortalece. Não tornemos isto num drama que não é.
Na minha faculdade, na semana de recepção ao Caloiro, entre outras coisas, os caloiros são levados a andar de barco no rio Douro e andam, em pequenos grupos (que contêm sempre um caloiro do Porto) a fazer um peddy paper, para conhecerem os lugares mais importantes da cidade, aqueles por onde mais vezes vão andar. Muito útil para quem, como eu, não é da cidade e ainda se sente um pouco perdido. Alguma destas coisas é vergonhosa e humilhante?
Não somos todos farinha do mesmo saco, e a televisão só mostra aquilo que choca e revolta, mesmo que não repesente a maioria da praxe. E, como dizia há pouco na TV o presidente da Federação Académica do Porto (neutro neste assunto), se quase todos os estudantes do ensino superior pertencem à praxe não deve ser por sermos todos parvos sem autonomia, ou pessoas de inteligência reduzida.

Espero ter conseguido mostrar o meu ponto de vista que é, aliás, o mais real.

Gostei de seu blog.

Um abraço


De Joana a 30 de Setembro de 2008 às 16:18
Fui estudante e não fui praxada.....mas muito tive de convencer, intimidar e ameaçar para tal não o ser.
Quem quer ser praxado está no seu direito e quem não quer também o está.

A DL tem o seu ponto de vista, que desde já discordo, mas como todos teve direito à sua opinião.

Somos todos farinha do mesmo saco, mas nem todos nós, se sentem à vontade com estas práticas.

Se fossem feitas praxes mais positivas sem colocar pessoas a "encher" e a dizer nomes, tornávamos-nos todos pessoas mais sociáveis!

Concordo com a opinião de Miguel Esteves Cardoso.

Quem quer ser praxado está no seu direito e quem não quer também o está.



De Ricardo Cataluna a 1 de Outubro de 2008 às 01:13
@ju:

Concordo plenamente!

Muito obrigado pela visita!


De Ricardo Cataluna a 1 de Outubro de 2008 às 01:05
@DL:

Antes de mais, agradeço a amabilidade da sua visita.

Creio que é evidente que temos pontos de vista diferentes sobre esta matéria.

Não nego que haja formas de praxe que são integradoras e até com uma certa componente pedagógica. Importa referir quer não há, somente, casos de abusos. Há pessoas ligadas ao movimento académico que me merecem respeito, pela elevação com que encaram e envergam o traje académico.

No meu post, referi um caso que se passou na minha cidade (limpeza das matas) que me parece ser um exemplo a seguir.

Escrevi este post, depois de ver algumas manifestações na minha cidade que me deixaram incomodado. Mais ainda porque alguns caloiros não se sentiam bem. Também importa referir que muitos veteranos não querem saber se se é, ou não, anti-praxe, obrigando caloiros a serem praxados. Alguns não hesitam em recorrer a alguma violência física e, sobretudo, psicológica para atingir os seus objectivos.

Nesta matéria, tal como noutras, importa que a boa moeda, afaste a má moeda, ou seja, que sejam abolidas as pessoas que prevaricam e que ultrapassam o respeito pela dignidade humana.

Um abraço!


De Elsa a 17 de Setembro de 2010 às 13:07
Gostei muito do teu post, eu própria não teria dito melhor! não tenho mais nada a acrescentar! um abraço :)


De melody a 1 de Outubro de 2008 às 00:11
Há uma simples coisa que deita tudo isso por terra: ninguém é forçado a ser praxado. Só é quem quer. Por isso. Cada um sujeita-se aquilo que aceita e a qualquer momento pode declarar-se anti-praxe.

Mas opiniões são opiniões. Apenas não generalize. Nem todos os cursos são sexistas, nem todos os cursos fazem o que fizeram aqueles que foram a tribunal e nem todos os cursos apelidam os caloiros de filhos da puta. Uma coisa é praxar, outra é abusar e faltar ao respeito. São coisas diferentes e que por vezes podem ser mal compreendidas por parte dos veteranos. Mas não generalize.


De Ricardo Cataluna a 1 de Outubro de 2008 às 01:11
@malmequer:

Antes de mais, muito obrigado pela visita!

Na resposta que dei à DL, há muito que também lhe poderia dizer a si. Concordo quando diz que não se deve generalizar. No meu post até referi uma acontecimento positivo na minha cidade (limpeza das matas).

Repito: importa que se afastem as pessoas que só prejudicam as praxes.

Cpmtos.


De zig a 1 de Outubro de 2008 às 01:15
Passo várias vezes por dia pela Estig e vejo por vezes alunos com um estranho objecto na mão! Como bem sabes, mesmo dentro da maior desgraça (que são esse tipo de praxes) tento sempre ver algo de positivo. Neste caso, pelo menos os revendedores de materiais de construção tiram algum proveiro dessa situação...


De Ricardo Cataluna a 1 de Outubro de 2008 às 01:18
@zig:

Meu Deus... Eu vi com cada uma no Jardim do Bacalhau...

Um abraço!!



De zig a 1 de Outubro de 2008 às 01:16
proveito - e não proveiro...


De Pedro Tortuga a 1 de Outubro de 2008 às 01:43
Sim, de facto, a meu ver, é apenas um ritual de estupidez. Como se se regressasse ao bulling característico das escolas secundárias e preparatórias se bem que com a absurda particularidade de se tratar de um processo de integração. Na universidade quer-se ser humilhado com vista à integração, contrariamente, nas escolas propriamente ditas humilha-se com vista à integração!
Por outro lado é verdade que não só de maus exemplos vivem as praxes. Infelizmente não é esta a realidade que se materializa na maioria dos casos
Em suma haveriam melhores coisas para se fazerem como recepção aos caloiros. Por exemplo, promover a troca de ideias, o debate, fomentar a criatividade. Pois são estes indivíduos o futuro do país, são as universidades as principais fontes do dinamismo intelectual de cada pais. Logo, os eventos ou situações mais emblemáticas com que se correlacionam são: o álcool-idolatria da queima das fitas e a criatividade(há que admiti-lo) infantil da maioria das praxes.


De Ricardo Cataluna a 1 de Outubro de 2008 às 20:26
@pedro:

Completamente de acordo!

Obrigado pela visita!


De daplanicie a 1 de Outubro de 2008 às 08:36
E tu referes-te às praxes feitas no ensino superior...que dizer então das praxes que´são feitas a alunos de 5º ano (crianças com 10 anos!), a quem é cortado cabelo, pintados, sujos e achincalhados pelos algozes de 15 e 16 anos, que estão mesmo na idade de não ter noção de limites? Isto tudo perante a impassibilidade dos auxiliares que preferem fazer vista grossa do que estarem a chatear-se...Isto está lindo, está!!
Cumprimentos e parabéns pelo destaque bem merecido :-)


De Ricardo Cataluna a 1 de Outubro de 2008 às 20:28
@daplanicie:

Muito bem focado! Este tipo de práticas começa cada vez mais cedo, e com alguma violência à mistura!

Muito obrigado!

PS: Deu-me a sensação que vi a Patrícia ontem, em Lisboa...


De daplanicie a 1 de Outubro de 2008 às 20:41
É bem possível. Ela esteve cá de Domingo a terça de manhã mas já voltou à vida de alfacinha apressada :-).
Já agora, conheces algum professor de espanhol desempregado? É que a Diogo de Gouveia continua sem professor e diz que não há pra colocar...incrível, não é?
Cumprimentos


De Ricardo Cataluna a 2 de Outubro de 2008 às 00:12
@daplanicie:

Pois, em Lisboa já se sabe:)

Não sei de nenhum professor que possa ocupar esse cargo. De momento, estou com muita coisa entre mãos.

Cumprimentos!


De celtiberix a 1 de Outubro de 2008 às 23:33
Sempre, sempre, sempre a estupidez de que "quem não é praxado não pode usar o traje académico". Sempre, sempre, sempre a estupidez de que a "quem não é praxado não lhe serão facultados apontamentos e ajuda dos colegas".
Sempre, sempre, sempre o esfarrapado argumento da "integração".
Sempre, sempre, sempre a cobarde desculpa de que "só é praxado quem está de acordo", como se uma declaração assinada dum masoquista permitisse a alguém tornar-se carrasco.
Tudo argumentos que poderiam ser desmontados por a+b, simples e claramente.
Já agora: que diz o o conselho directivo duma escola quando o aluno, no último dia de pagamento da primeira "prestação" das propinas, não o pode fazer por estar a ser praxado dentro das instalações da mesma escola? Paga multa no dia seguinte? (casos verídicos).
.
Um abraço e cumprimentos ao homem do piano de cavalariça, eh eh.


De Ricardo Cataluna a 2 de Outubro de 2008 às 00:13
@celtiberix:

Completamente de acordo!

Um abraço para ti e o outro será entregue!


De Margarida Pereria a 4 de Novembro de 2008 às 23:42
Boas! é a primeira vez que aqui venho, mas este post suscitou-me interesse, por isso decidi dar a minha opiniao e a minha experiencia.
Sou caloira neste momento, sou praxada diariamente com muito orgulho e assim serei ate a queima das fitas pois é assim que manda a tradiçao na minha academia.
Acho que aqui se mostra uma ideia muito errada da praxe, e o que é a praxe. Não tremo cada vez que vejo alguem de preto, apenas respeito porque não é o traje que faz o doutor, mas sim doutor que faz o traje, e é preciso acim a de tudo SABER honrar o traje. Isso descrito em cima não considero praxe, isso descrito considero humilhaçao, por isso repito que sou PRAXADA com muito orgulho, pois tenho doutores que sabem praxar. As aulas começaram à mais de um mês e eu nunca fui insultada, nunca fui obrigada a fazer flexoes, pelo contrario. Fui sempre tratada como mesmo respeito que trato os doutores. Tudo que aprendi na praxe até hoje acho deveras importante para a minha futura vida profissional e tambem pessoal.É obvio que nao gosto de estar no 'famoso' 4. Mas como tudo na vida, não podemos fazer só aquilo que gostamos, nem aquilo que queremos, e é ai que entrar a praxe. A Praxe ensina brincando. Pelo que aqui li tenho muita sorte em fazer parte de uma academia tão digna, que exerce tão bem a tradição esta tradição.
Acrescento ainda que não sou a favor da proibição do uso de traje para alunos anti-praxe, sou apenas a favor de não poderem praxar pois não saberiam honrar o traje, não saberiam o que fazer com ele vestido, e é por isso que acontece coisas como as que referiu, insultos e demais coisas. Isso na minha opinião acontece porque as pessoas tem um defice de atençao social e quando se apanham com um traje vestido querem-se afirmar.
Não estou com isto a criticar outros pontos de vista, estou apenasa tentar alertar que a praxe nao é aquilo que a Comunicação Social faz dela e mais uma vez repito, doutor não é aquele que veste o traje, é aquele que o sabe honrar, e utilizar ensinando e passando tudo aquilo que envolve esta tradição tao antiga.

Cmpmentos.


De xana a 24 de Março de 2010 às 00:15
Bem, venho aqui manifestar a minha opiniao sobre as praxes e sobre algumas coisas que por aqui li. As praxes, quando bem organizadas e elaboradas por pessoas com dois dedos de testa tornam-se nas melhores coisas do mundo....interagem com novos colegas, divertem-se ... Mas eu digo isto porque tenho praxantes que em vez de se rirem de nós, riem-se connosco o que é completamente diferente daquilo que se vê noutros sitios....

Vi ali acima, comentarios do tipo "fui praxada/o para poder usar o traje"...bem é o seguinte, o unico local onde diz que um anti praxe nao pode usar o traje é no código de praxe...no entanto, quem é anti praxe não se rege por esse código e contraria-o da forma que bem lhe apetecer...pode até praxar, arrisca-se e a levar de outros praxantes xD...o traje pode ser usado sempre, é um simbolo da vossa academia, nao das praxes!!!


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