Domingo, 16 de Novembro de 2008
Notas soltas

1. A propósito da actuação da Ministra da Educação, tenho, regra geral, defendido os professores. Contudo, a acção destes últimos não está isenta de falhas, importando realçar algumas questões que podem (espero) enriquecer o debate: defendo que os professores sempre foram uma classe muito pouco unida. Se compararmos com outras profissões, nos professores existem dezenas de sindicatos e associações, muito díspares entre si. Há até quem defenda que uma das coisas boas que esta ministra conseguiu foi unir uma classe. Só tenho pena que essa classe não se tenha unido mais cedo, por motivos bem mais preocupantes do que a avaliação dos professores. Importa dizer que, quanto a esta questão, parece-me evidente que se trata de um processo de tal modo burocrático e impraticável, que a sua aplicação torna-se impossível. Chegamos ao ponto em que os professores também têm de, entre outras coisas, dar aulas.

Voltando atrás, gostava que os professores se tivessem revoltado mais cedo perante problemas mais graves: a crescente indisciplina; os programas longos e desadequados; a TLEBS; o facilitismo; o exagerado número de alunos por turma; o facto de se tratar de uma profissão de desgaste rápido e mal paga, especialmente no início da carreira; entre outros aspectos. Em vez disso, os professores, salvo honrosas excepções, acomodaram-se ao longo dos anos, com a certeza de alguma estabilidade laboral.

A revolta dos professores tem razões de ser, e teria muito mais a ganhar se fosse manifestada mais cedo. Deste modo, ao focarem, quase que em exclusivo, as questões da progressão na carreira e da avaliação, colocaram-se a jeito, perante um ministério que os usa como bode expiatório de todos os problemas. É pena.

 

2. A nacionalização do BPN progride, sem grande escrutínio e sem grande debate. Uma decisão desta magnitude foi sendo encarada como se de algo de normal se tratasse, da esquerda à direita. Quase não se falam das suspeitas que recaíam sobre o banco, nem das supostas confluências entre a política e o mundo empresarial em Portugal. É particularmente ensurdecedor o silêncio do PSD (o BPN ficou conhecido como o Banco do PSD, tal a lista de ex-dirigentes do partido que passaram pela adminsitração do banco), que sobre esta matéria, manteve-se numa quietude inexplicável, perante o enxovalho de que tem sido alvo nalguns Media. Podia aproveitar a oportunidade para apresentar algumas propostas alternativas à nacionalização; podia propôr a investigação de alguns supostos casos de polícia (doa a quem doer), mas não. E quem cala consente...


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publicado por Ricardo Cataluna às 19:19
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2 comentários:
De Bruno a 16 de Novembro de 2008 às 21:18
Caro Ricardo, Concordo com a apatia com que a questão do BPN tem sido tratada pela generalidade da Comunicação Social, em claro contraste com a "guerra dos professores". Com a qual não sou tão solidário com as ultimas atitudes . Penso até que vão pagar bem caro o facto de terem instrumentalizado os alunos na sua causa!


De Ricardo Cataluna a 17 de Novembro de 2008 às 13:53
@bruno:

Tenho pena que os professores não se tenham demarcado das acções do alunos. Quem cala, consente...


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