Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
Dois mais dois igual a...

No debate e comentário político dos dias de hoje, gostamos de reduzir tudo a factos muito simples e concretos. Se há um vencedor, também há um derrotado; se há um lado bom, há, obrigatoriamente, um lado mau; e assim sucessivamente...

Tudo o que saia deste esquema é visto como estranho e duvidoso, dando azo às mais incríveis interpretações.

As intervenções do Presidente da República são alvo de um escrutínio muito apertado, por dois motivos: primeiro, por ser um Presidente que não é originário da esquerda portuguesa, pela primeira vez na nossa democracia; em segundo, o poder de Cavaco advém da palavra, muito mais do que na forma. Logo as suas intervenções ganham um particular significado.

A propósito da intervenção de ontem, foram-se repetindo algumas ideias: aquele discurso precisava de um parágrafo final a dissolver o parlamento - bem, se Cavaco tivesse dissolvido o Parlamento, seria imediatamente acusado de golpe de Estado Institucional; como não fez, revelou a sua impotência. Preso por ter cão...

O Estatuto dos Açores não é importante - em termos reais não é, mas o problema é o precedente que abre. Até Vital Moreira concorda com o Presidente.

Cavaco não fez tudo, devia ter mandado os artigos em questão para o TC - aqui concordo.

Em suma, ver-se-á na mensagem de Ano Novo a extensão dos estragos provocados na Cooperação Estratégica. E numa coisa o Presidente tem razão, e foi algo que foi omitido por muitos comentadores: o Estatuto dos Açores serviu como arma de arremesso político, de modo a beneficiar joguinhos político-partidários. Depois admiram-se com o desinteresse que os portuguese manifestam pela política. E não havia necessidade nenhuma disso.

Ainda a propósito disto, aconselho a leitura deste post.


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publicado por Ricardo Cataluna às 12:23
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8 comentários:
De João Barros a 30 de Dezembro de 2008 às 21:57
Perante o discurso em si, ainda pensei... olha queres ver que ele vai fazer o que o Sócrates quer, que é o PR dissolver a assembleia? Foi duro, mesmo assim acho que foi pouco, mas gostei quando ele disse, que com tanta coisa que se deveriam preocupar estão a perder tempo com este tipo de coisas... Ele tem alguma culpa no cartório é um facto, mas o PS....


De Ricardo Cataluna a 31 de Dezembro de 2008 às 17:48
@joão:

Não há dúvidas de que o PS fez isso com o objectivo de tentar "entalar" Cavaco, e seduzir uma esquerda que está desavinda com o partido. E pelos vistos conseguiu: hoje, Manuel Alegre já veio mandar umas bocas a Cavaco (vinha no Sol...) O problema é a repercussão destes joguinhos na saúde e estabilidade da nossa Democracia...


De Gorbatchov a 31 de Dezembro de 2008 às 12:00
pensei que quem andou a perder tempo com isto tivesse sido o PR... mas afinal foi o PS que teve a culpa. Mas é curioso que o CDS, PCP e Bloco também aprovaram o estatuto duas vezes.

Sinceramente, o PR não faz falta nenhuma. Só empata e ajuda a gastar o nosso dinheiro Acabe-se com o cargo...


De Ricardo Cataluna a 31 de Dezembro de 2008 às 18:00
@Gorbatchov:

Creio que todos tiveram responsabilidades no processo. Também incluiria o PSD nesse rol de responsáveis. Quanto ao papel do Presidente da República, mais valia optar por uma de duas opções: ou regressamos à Monarquia, ou adoptamos um regime como o Francês. Com este meio termo não vamos a lado nenhum...


De António de Almeida a 31 de Dezembro de 2008 às 12:49
-Um feliz 2009, Ricardo.


De Ricardo Cataluna a 31 de Dezembro de 2008 às 18:01
@António de Almeida:

Muito obrigado e igualmente! Um óptimo ano para si e para os seus!


De Filipe Marques a 8 de Janeiro de 2009 às 00:02
Está um texto interessante, não há dúvida que o assunto do estatuto dos Açores foi uma jogada política (mais uma), Mas não concordo com a ideia de que o parlamento terá que ser dissolvido. Porque é que terá de ser dissolvido se temos eleições já à porta? Não seria mais uma perda de tempo entre mudanças? Não seria mais uma sessão de polémicas com políticas baixas a inundarem a nossa tv? A verdade é que não existe outra escolha para além do PS, era muito bom que houvesse alguém que fizesse uma oposição de jeito, alguém que mostrasse confiança para o lugar, mas não há...porque senão o copo já estava mais cheio..


De Ricardo Cataluna a 8 de Janeiro de 2009 às 10:42
@Filipe:

Também acho que a dissolução seria um disparate. Os portugueses não iam perceber. Fiquei surpreendido com o facto de muitos comentadores terem "requerido" a dissolução.


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