Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
Autárquicas em Beja - Um balanço provisório

Os dois debates realizados com os candidatos à Câmara de Beja  (ver aqui e aqui) permitem extrair algumas conclusões interessantes. Na minha opinião, os candidatos mais bem preparados e com uma visão de futuro para a cidade, são Pires dos Reis (PSD) e Pulido Valente (PS). O PS, ao contrário do que aconteceu nas últimas autárquicas, apresenta um candidato com peso político e um programa estruturado, ambicioso e inteligente - muito boa a ideia de propor um Pacto para o Desenvolvimento aos outros partidos. Já Pires dos Reis é o candidato com a tarefa mais espinhosa: por um lado, tentar obter um resultado que se equipare ao de 2005, que foi óptimo; por outro, tentar fazer com que muitos eleitores que habitulamente votam PSD não caiam na tentação do voto útil no PS para derrubar os comunistas.

As candidaturas do BE e do CDS apresentam dois homens inteligentes mas que sofrem  de um defeito fundamental: ao Dr. Lemos parece-lhe faltar alguma agressividade caracterítica do BE, bem como algum faro político; o Dr. Ismael Pimentel, ao ambicionar ganhar a Câmara em 2013, parece agir de forma irrealista aos olhos do eleitor comum do Concelho que mal o conhece e que pretende ver para crer, ou seja, quer ver qual será a acção política do candidato do CDS nos próximos quatro anos, independentemente do resultado das próximas eleições.

Quanto a Dulce Amaral não conheço o suficiente para fazer uma avaliação. Todavia, no debate na Rádio Pax apresentou a sua candidatura como independente dos partidos. Não que isso tenham nada de mal, mas pareceu-me um discurso muito ressentido com o seu ex-partido, o PS, e, consequentemente, torna-se muito fácil resvalar para o discurso moralista, do tipo:  os outros só se preocupam com o partido, nós preocupamo-nos com o bem comum. Este discurso é perigoso porque é generalista, logo injusto; por outro lado, ao ser um discurso moralista, pressupõe a existência de alguns telhados de vidro.

Quanto a Francisco Santos, o costume. Truculento (estou a ser simpático), passa a vida a atacar os adversários em vez de defender o seu mandato. Um empresário que veja a sua actuação nestes debates perde logo a vontade de investir cá, ao perceber o estilo que grassa na Câmara Municipal. Não percebo como é que um partido com bons quadros como o PCP não arranja um candidato mais adequado. 



publicado por Ricardo Cataluna às 19:29
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3 comentários:
De rato a 11 de Setembro de 2009 às 09:22
Um primor de isenção na análise.
Já agora conhece de onde o "programa estruturado do PS"? uma vez que o mesmo ainda não foi tornado público


De Ricardo Cataluna a 11 de Setembro de 2009 às 10:07
Quanto ao programa do PS, refiro-me àquilo que já se conhece. Julgo que já deu para perceber o que vem aí, basta consultar o site.

Quanto ao "primor de isenção da análise", não sou jornalista e não tenho deveres de isenção com ninguém. O blog é meu e escrevo nele o que muito bem entender. Se não gosta da minha análise, paciência.


De Jony a 2 de Outubro de 2009 às 20:02
Já li os programas de ambos, o trabalho do PS parece que não surtiu grande efeito, em termos de programa eleitoral, muito vago, sem consistência Não se pode embalar pelas palavras "bonitas" e "boa fluência verbal".
O programa da CDU é superior, com propostas concretas, bem articuladas, com sólidas bases suportadas em estudos prévios, e várias propostas já com verbas aprovadas pelo QREN .


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