Sábado, 2 de Abril de 2011
O nosso Nixon

A apresentação do PEC 4 precipitou uma crise política que já se adivinhava. Pessoalmente, creio que é preferível avançar para eleições (com todos os riscos que isso implica), já que o ambiente político em Portugal se tornou irrespirável. Não podemos dar sempre primazia às finanças públicas em detrimento da vontade e da expectativa dos cidadãos - é o que temos feito nos últimos anos com os resultados que se vêem.

Todavia, não se pense que as coisas vão melhorar muito depois de 5 de Junho, bem pelo contrário. Com ou sem FMI, a nossa situação é muito difícil e vai obrigar a tomar medidas ainda mais duras - a recusa dos agentes políticos portugueses em fazer uma auditoria às contas públicas faz adivinhar o pior. Esta campanha eleitoral promete ser particularmente tensa: primeiro, porque não há dinheiro; segundo, porque andamos todos demasiado excitados. Acredito que terá um bom resultado eleitoral quem se apresentar sereno, com boa educação e um programa minimamante consistente. Mas o que os portugueses mais valorizarão será a capacidade para pensar num país daqui a 15 anos e não virado para a sondagem do fim-de-semana seguinte.

 

Sócrates e o PS já andam em campanha, e há muito tempo. E admita-se que o fazem muito bem. Só que depois do PEC, entrou no modo Terrorismo Psicológico - ou nós ou o caos. Esta maneira de fazer campanha é perigosa, ainda mais vinda de quem vem: vivem num país que não o nosso e dá azo à mais gritante demagogia. Nesta medida, Sócrates é o nosso Nixon: truculento e convencido de que vive numa realidade distinta daquela que a generalidade dos portugueses sente na pele diariamente. Só é pena que no PS ainda não tenha havido um Kissinger que se chegasse ao pé dele e dissesse: já chega, tens de ir embora. Se calhar até há, mas não deve ter muita vontade de o fazer.


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publicado por Ricardo Cataluna às 23:14
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3 comentários:
De celtiberix a 3 de Abril de 2011 às 14:09
Sócrates sempre se mostrou um autista político, e só não é um ditador porque com um povo como o nosso não precisa mais que estalar os dedos; além de acenar com o papão da "crise política".
Expliquem-me lá qual o problema duma "crise política" quando a estabilidade é a do prego: continua a ir para o fundo do poço sem se desviar do seu caminho nem um milímetro. O grande problema deste povo é que, por mais valentão que queira parecer, continua com pavor aos papões.
E embora me enoje não me espantaria que voltasse a ganhar lá para Junho.
Um abraço.


De Ricardo Cataluna a 4 de Abril de 2011 às 08:53
Dá-me a sensação que os portugueses gostam de "levar", numa dinâmica do quanto mais me bates...

O que é mais assustador, e tens toda a razão, é que Sócrates tem boas hipóteses nas próximas eleições...


De RUIM a 9 de Abril de 2011 às 12:48
" I am not a crook"


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