Quarta-feira, 12 de Abril de 2006
TV portuguesa na Galiza para combater castelhano
"Um grupo de galegos, preocupado com o avanço da língua e da cultura castelhanas, defende a recepção das televisões portuguesas na Galiza, em sinal aberto, "o mais rápido possível", para equilibrar essa situação(...) lembra que a língua galega, "variante do português", encontra-se "muito pressionada pela cultura castelhana". Uma forma de "reverter o processo", diz, será uma maior aproximação a Portugal. E uma das pontes, de fácil acesso aos 2,3 milhões de galegos, pode ser a televisão. Na Galiza, em sinal aberto, há apenas um canal de televisão galego e cinco falados em castelhano. "A proporção é muito desigual", frisa Luís Magarinhos, que está a preparar uma pós-graduação em Estudos Portugueses na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Na imprensa publicada na terra onde nasceu Rosalia de Castro e Castelao, a língua de Cervantes é igualmente a dominante. "O direito linguístico dos falantes galegos não está a ser garantido", o que contraria a Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias. "A situação linguística não é boa, sendo a população jovem a mais pressionada, porque todo o acesso cultural tem como base o castelhano", assegura. Luís Magarinhos pertence ao grupo dos reintegracionistas (ou lusistas). Esta corrente linguística defende que a escrita galega deve seguir a norma do português, tal como aconteceu no passado remoto."
Esta notícia, retirada do Diário de Notícias, faz-me levantar duas questões:
- o que dirão as autoridades portuguesas sobre esta situação? Será que vão ter o arrojo e a coragem de transformar o português numa língua à altura do seu universo lusófono?
- tinha um professor que dizia "leiam, nem que seja A Bola e o Record." Ele dizia isto, não pela qualidade dos jornais em questão, mas sim pela importância da leitura como processo de aprendizagem de uma língua. A nossa televisão não será, porventura, o melhor exemplo da nossa cultura, mas é melhor do que nada e é uma oportunidade que devíamos aproveitar.


publicado por Ricardo Cataluna às 00:34
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3 comentários:
De RCataluna a 12 de Abril de 2006 às 18:08
Restaurador:

Portugal tem tido uma ausência de política relativamente à sua língua. Para que servem instituições como a CPLP ou o Instituto Camões? Alguem sabe o que é que essas instituições fazem?

Abraço!

Bete:

Já disse que concordo contigo, que escreves muito bem e que te amo muito?

Amote!


De Bete a 12 de Abril de 2006 às 12:58
O problema linguístico galego está inevitavelmente ligado a outros problemas de nível cultural e social. Se é verdade que a Galiza é uma região de Espanha, também é verdade que toda a sua cultura e língua estão mais ligadas a Portugal por variados factores que, não valendo a pena enumerar agora porque toda a gente os conhece, assim o determinaram.
O que fazer então?
Espanha, como dominante, quer ter o controlo. A única maneira de o ter é supervisionando tudo o que as suas regiões fazem, incluindo autorizar gramáticas dialectais, se assim se pode dizer, que nada têm a ver com a realidade linguística que se conhece hoje em dia e que fazem com que os dialectos se aproximem mais ao castelhano do que às suas origens.
Isto leva a que os movimentos reintegracionistas reivindiquem o que lhes parece ser obvio. "Se o galego se identica mais com o português, tenhamos acesso ao português gratuitamente."
Tudo isto tem a ver com uma liberdade cultural e de expressão que está a ser posta em causa. Se nós, portugueses, estivéssemos na mesma situação, o que é que faríamos? Exactamente a mesma coisa!O que prova a minha teoria...
Se os galegos querem olhar para nós como exemplo a seguir, mesmo que seja linguístico, é deixá-los e incentivá-los, pois este pode ser um dos vestígios de que a língua de Camões ainda está bem viva e para durar...
Além disso não é todos os dias que alguém nos vê como exemplo a seguir!...


De O Restaurador a 12 de Abril de 2006 às 09:16
E a UNESCO prevê que a língua portuguesa seja daqui a 25 anos a segunda língua mundial com um maior crescimento, a seguir ao castelhano! Sinceramente não percebo como, pois Portugal pouco ou nada faz para promover a língua portuguesa, nem mesmo em Portugal!

Abraço!


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