Segunda-feira, 28 de Maio de 2007
Então e o resto, Dr. Santos?
O actual presidente da Câmara Municipal de Beja, apesar de só estar no cargo há pouco mais de dois anos, tem revelado saber os ossos do ofício. Isso vê-se no estilo, no modo de trabalhar e de fazer “política” tão próprios do PCP. Esta gestão autárquica poderia dividir-se em várias vertentes: limita-se a gerir as coisas básicas do dia-a-dia, os arranjos, se uma rua está esburacada, arranja-se, as obras nas escolas – e mesmo estes casos, por vezes, são um martírio - , etc... enfim, aquelas coisas que servem para encher os boletins propang... municipais e os conteúdos dos órgãos de comunicação social afectos à câmara; espera que as grandes obras (Alqueva, Aeroporto), por si só, resolvam os problemas. Não há uma política que estimule a economia regional, não há incentivos para as empresas, para as pessoas que querem ficar e trabalhar cá. Isto é que é importante! Do que é que vale meter mais 10 moloks, e fazer um enormíssimo alarido em relação a essa matéria, se a cidade está a ficar com cada vez menos pessoas para os usar?
Mas existem outros aspectos que me parecem (ainda) mais preocupantes. O Dr. Santos é especialista em criar este ambiente de crispação e vitimização sempre que algo corre mal. Se repararmos, a culpa nunca é da câmara mas sim dos inimigos do costume, daqueles que não concordam, do capitalismo selvagem, do governo, do poder central, de Saturno estar alinhado com Marte... E é deste modo que acaba por capitalizar tanta “força” à sua volta, seguindo a velha linha “só nós é que nos preocupamos convosco e não se pode confiar em mais ninguém” - leia-se "em mais nenhum partido". Já agora aproveito para perguntar: alguém me sabe dizer se o PS de Beja ainda existe?
Anda mais dois aspectos. É de estranhar (ou talvez não) que uma gestão comunista tenha tão pouca atenção para com o comércio tradicional. É cada vez maior o número de lojas que fecha, o centro histórico está morto e as Portas Mértola parecem a Chinatown – é verdade, e o que é que é feito do tal acordo com os chineses? Reparem que não param de abrir grandes superfícies em Beja: foi o Plus, o Mini-Preço, haverá, ao que tudo indica, um Carrefour; ainda temos o Modelo, Intermarché, Lidl, Pingo Doce, etc... Numa região com uma taxa de desemprego elevada e com um baixíssimo poder de compra...
No dia de hoje, o Dr. Santos fala da criação da Universidade do Alentejo. Esta ideia é, na minha opinião, um disparate pegado, para não dizer que é uma tentativa de atirar areia para os olhos. Estão a ver a Universidade de Évora a partilhar influências com Beja? Porque não apostar em fortalecer, apoiar e diversificar a oferta do Politécnico de Beja, em contraposição com aquilo que Évora e o Algarve oferecem?
A propósito desta matéria, aconselho a leituras destes dois textos, os quais subscrevo inteiramente: aqui e aqui.

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publicado por Ricardo Cataluna às 17:12
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2 comentários:
De RCataluna a 29 de Maio de 2007 às 20:57
Nikonman:

Obrigado:)


De nikonman a 28 de Maio de 2007 às 19:45
Excelente post!


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